Publicada originalmente pela Principia Editora, esta obra de referência realiza um profundo estudo empírico sobre o mercado do Roque Santeiro — que foi, durante décadas, o maior mercado a céu aberto de África, localizado na periferia de Luanda. O livro investiga minuciosamente o nascimento e o desenvolvimento deste gigantesco polo comercial, analisando as suas envolventes económicas, sociais e políticas, bem como as razões estruturais que o fizeram prosperar de forma tão marcante.
Carlos M. Lopes afasta-se das visões puramente teóricas ou estigmatizadas sobre o comércio informal para apresentar o mercado como um exemplo vivo e pulsante da extraordinária capacidade de adaptação, resiliência e criatividade do espírito angolano. Cruzando dados socioeconómicos com histórias e trajetórias de vida (como a dos tradicionais "roboteiros"), a narrativa desvenda as regras próprias de funcionamento, os eixos de abastecimento transfronteiriço e as redes de solidariedade que estruturavam aquele espaço. Mais do que um simples local de compra e venda, a obra demonstra que o Roque Santeiro funcionou como um verdadeiro espelho da transição política de Angola e uma resposta popular direta aos desafios de sobrevivência no ecossistema urbano de Luanda.
Pilares Temáticos e Ganchos Narrativos
- Anatomia da Informalidade: O estudo detalhado das engrenagens económicas e sociais que permitiram a um mercado informal movimentar milhões de dólares diariamente.
- Criatividade e Sobrevivência: A exaltação das estratégias informais adotadas pela população civil de Luanda para contornar crises de abastecimento económico.
- Memória Urbana de Luanda: O registo documental indispensável sobre o impacto socioespacial e o legado histórico de um espaço que redefiniu a identidade da capital angolana.